sexta-feira, 30 de junho de 2017

Rússia lança forte 'mensagem de advertência' aos países ocidentais

Submarino estratégico da classe Borei, Yuri Dolgoruky

Rússia lança forte 'mensagem de advertência' aos países ocidentais

A Marinha russa realizou um teste bem-sucedido do míssil balístico intercontinental Bulava; tal façanha não passou despercebida pelos países ocidentais, que acompanham atenciosamente a indústria militar russa, afirmou o analista Viktor Barenets em uma entrevista à Sputnik.


O lançamento do míssil balístico com capacidades nucleares Bulava, a partir do submarino estratégico russo Yuri Dolgoruky, demonstrou que este projeto vem se desenvolvendo de maneira bem-sucedida. Trata-se de uma arma de grande importância, cujo desenvolvimento se deve aos esforços dos seus engenheiros, sublinhou o analista.

De acordo com Barenets, enquanto estão sendo realizados mais lançamentos bem-sucedidos, a Marinha militar russa equipará seus navios com esta poderosa arma. O especialista resumiu que o alcance deste míssil intercontinental é de uns 8-10 mil quilômetros.

"Ocidente acompanha atenciosamente o programa de testes desta arma. Parece-me que é um tipo de 'mensagem de advertência' ao Ocidente, uma advertência sobre Moscou manter sua Marinha e seu Exército em estado operacional e que a Marinha de guerra russa recebe armamentos novos", explicou.

O submarino nuclear da Frota do Norte russa, Yuri Dolgoruky, da classe 955 Borei, realizou em 26 de junho um teste bem-sucedido do míssil intercontinental Bulava. O submersível lançou o projétil a partir de uma posição debaixo d'água, de acordo com o plano de treinamento militar. O míssil atacou os alvos no polígono de Kura, na península de Kamchatka.

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TEMER" - Indígenas denunciam genocídio em conflito de terras com fazendeiros no Mato Grosso do Sul

Líder indígena Guarani-Kaiowá, Valdelice Veron

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TEMER" - Indígenas denunciam genocídio em conflito de terras com fazendeiros no Mato Grosso do Sul


Luis Macedo / Câmara dos Deputados

Mais de 300 índios já foram mortos em conflitos fundiários no estado do Mato Grosso do Sul, na região Centro-Oeste do Brasil. A denúncia foi feita por lideranças da tribo Guarani-Kaiowá à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal.

Os confrontos no Mato Grosso do Sul tiveram início devido a indefinições sobre a titularidade das terras na região. Uma das áreas indígenas em conflito é Nhanderu Mangaratu, que teve o processo de homologação iniciado pelo Executivo, em 2005, mas em seguida foi suspenso por liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) a favor dos fazendeiros.

Segundo o Conselho Nacional de Justiça, a questão entre índios e fazendeiros se agravou a partir de agosto deste ano, quando índios ocuparam uma fazenda e fizeram moradores reféns. Após a intervenção do Departamento de Operações da Fronteira (DOF), do governo estadual, os prisioneiros foram libertados. Porém, desde então, outras propriedades rurais foram ocupadas por indígenas.

A líder da tribo, Valdelice Veron, que teve o pai, o cacique Marcos Veron, assassinado nos confrontos, denuncia que a tribo vive em clima de terrorismo e genocídio, e diz que ela mesma está jurada de morte.

“São mais de 300 lideranças indígenas executadas no estado de Mato Grosso do Sul. Eu mesma estou marcada. Nós fomos expulsos, a partir de 1920, em decorrência da exploração de erva mate, e o governo brasileiro nos jogou em oito reservas. Nós Guarani-Kaiowá nunca aceitamos esse modo de confinamento. Hoje convivemos com assassinatos comandados pelos latifundiários em nome dessa história de produção (agropecuária)”.  

Valdelice informou que o mesmo problema vem acontecendo em áreas dos índios da tribo Terena.
O Ministério Público Federal (MPF) já tinha determinado a instauração de um inquérito policial na região para investigar a série de ataques contra os índios Kaiowá. A suspeita é a de que fazendeiros do estado mobilizaram milícias armadas para atacar a tribo.  

O Ministério da Justiça também vem buscando negociar soluções com indígenas, fazendeiros e o governo estadual para acabar com o conflito, mas até agora não obteve sucesso.
O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), João Pedro da Costa, analisa como incoerente o fato de o estado do Mato Grosso do Sul ter uma economia crescente, com base na produção de grãos, e, ao mesmo tempo, ainda abrigar cerca de 50 mil índios e povos tradicionais sem-terra.

Durante a audiência na Comissão de Direitos Humanos, João Pedro da Costa anunciou que vão ser retomados os grupos de trabalho que eram responsáveis por estudos técnicos de demarcações de terras indígenas. De acordo com ele, os grupos paralisaram as atividades justamente por conta de intimidações de jagunços, que é o nome que se dá aos indivíduos que prestam trabalho paramilitar como seguranças, normalmente para fazendeiros.

“Estamos cuidando da retomada de seis Grupos de Trabalho, e vamos voltar para o Mato Grosso do Sul para concluirmos os trabalhos pendentes acerca das terras prioritárias".

A Cidade de Dourados, no Mato Grosso Sul, acaba de sediar a etapa regional da Conferência Nacional de Políticas Indígenas, com o objetivo de elaborar propostas para subsidiar o Governo Federal na implementação de políticas públicas voltadas aos povos indígenas. A etapa final da conferência está prevista para dezembro, quando cerca de 2 mil indígenas são esperados em Brasília.

No início da semana, índios, quilombolas e ribeirinhos fizeram na Câmara uma vigília para denunciar violações de direitos dos povos tradicionais, inclusive os direitos previstos na proposta dos deputados (PEC 215/00) que submete as demarcações de terras indígenas ao Congresso.

Os deputados ligados à causa indígena avaliam que a mobilização da bancada ruralista em defesa da Pec 215 e a interferência do Judiciário têm impedido novas demarcações.
A  assessora jurídica da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Alda de Carvalho, que esteve presente na audiência da Comissão de Direitos Humanos, pediu mais negociação, a fim de que também seja reconhecido o direito de propriedade dos fazendeiros, assegurado na Constituição.

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TEMER" - Sangue no campo: assassinatos de sem-terras expõem as vísceras do país

Trabalhadores sem-terra protestam contra mortes de dirigentes em todo o Brasil

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TEMER" - Sangue no campo: assassinatos de sem-terras expõem as vísceras do país


Fábio Pozzebom/Agência Brasil/FotosPúblicas

Em pouco mais de uma semana, dez trabalhadores rurais e lideranças sem-terra foram assassinados no Brasil, mostrando o recrudescimento desses crimes nos últimos anos. Reportagem do jornal francês Le Monde revela que o Brasil é recordista mundial nessas práticas, com 207 pessoas eliminadas de 2010 a 2015 em conflitos pela posse de terra.

Citando estatísticas da ONG Global Witness e as 61 mortes contabilizadas só em 2016 pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Le Monde lembra de mortes emblemáticas que tiveram repercussão internacional, como as do sindicalista Chico Mendes, em 1988, e de missionária Dorothy Sang, em 2005. De Norte a Sul e de Leste a Oeste, praticamente não há hoje uma única região brasileira que não registre mortes ou conflitos entre fazendeiros e grandes proprietários de terras. Esse número só vem crescendo e ano para ano, conforme a 31ª edição do relatório da CPT que reúne números da violência contra trabalhadores rurais, indígenas, quilombolas e outras minorias. Se em 2016 foram 61 assassinados, em 2015 foram 50  —  o maior número então nos últimos 12 anos — e 36 em 2014.


Em entrevista exclusiva à Sputnik, Rafaela Alves, da coordenação nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), diz que o aumento das mortes no campo nos últimos meses é fruto de "uma situação de golpe, de um acirramento de luta de classes, da disputa de uma direita que não se conforma em ver trabalhadores conquistando direitos". Segundo a dirigente, isso tem um custo muito alto para a vida dos trabalhadores que pagam com a própria vida. Rafaela lamenta que, no momento em que se lembra o Massacre dos Eldorado dos Carajás, no Pará, que completou 20 anos no último dia 17, se veja mais camponeses sendo assassinados no país. 

"A gente sempre vive situações de muita repressão à luta dos trabalhadores, mas numa conjuntura como essa, de golpistas no governo e que se sentem empoderados com possibilidade de bloquear toda possibilidade de avanço para os trabalhadores, o caminho vai ser a morte, as armas, a contratação de capangas para executar bem seus projetos. Nesse momento eles também estão trabalhando a necessidade da estrangeirização das terras do Brasil. Se eles ameaçam um projeto da classe trabalhadora, ela também vai se mobilizar e alimentar suas lutas históricas. A terra continua sendo um elemento de grande disputa no país", diz a integrante do MPA.

Para a ativista, as mortes de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) ocorridas nos últimos meses é fruto da disputa a cada dia maior pela posse de terra. De um lado os pequenos produtores tentando manter sua agricultura de subsistência e, de outro, os grandes empresários do agronegócio e da mineração que tentam incorporar novos espaços para aumentar exportações. Rafaela afirma que é obrigado do Estado investigar e punir a autoria dessas mortes, mas isso não é feito, uma vez que, ao longo da história, muitas autoridades foram omissas ou coniventes nesses assassinatos.

"Agora saímos do 31 de Março lembrando a tarefa histórica de manterem sempre viva as datas de 31 de março e 1º de abril como um dia de luta pela memória. Ninguém nunca esqueceu o que foi o Golpe de 64 e o tanto de assassinatos e repressão de mortes que aconteceram de trabalhadores no campo e na cidade por conta da ditadura militar. O Estado brasileiro nunca assumiu sua culpa, sua responsabilidade por esses assassinatos. Aqueles que cometeram esse tipo de crime continuam impunes, com altos salários ao se aposentaram e recebem dinheiro do povo brasileiro. Na época da ditadura militar, mais de 1.196 camponeses foram assassinados ou desaparecidos e o Estado só reconhece 29", dispara a integrante do MPA, para quem a impunidade só estimula a continuidade dessas práticas no campo.

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TEMER" - Direitos Humanos do Senado vai acompanhar investigações de chacina de trabalhadores rurais

O Senador Paulo Paim pediu  audiência na CDH para tratar da chacina de trabalhadores rurais no Mato Grosso

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TEMER" - Direitos Humanos do Senado vai acompanhar investigações de chacina de trabalhadores rurais


Geraldo Magela/Agência Senado

Na próxima semana, os senadores da Comissão de Direitos Humanos vão até a cidade de Colniza, no Mato Grosso para acompanhar de perto as investigações sobre a chacina de nove trabalhadores rurais e um pastor evangélico na região.


Trabalhadores sem-terra protestam contra mortes de dirigentes em todo o Brasil
Fábio Pozzebom/Agência Brasil/FotosPúblicas

Eles foram torturados, amarrados e mortos, alguns decapitados, no dia 19 de abril em Taquaruçu do Norte, distrito de Colniza. Segundo a Polícia, os crimes teriam sido cometidos por quatro pistoleiros encapuzados contratados por fazendeiros da área, que é marcada por conflitos de terras. As vítimas estariam montando um loteamento irregular no local.

Além da diligência na região dos crimes, a Comissão de Direitos Humanos do Senado também vai promover na Casa uma audiência pública sobre o assunto. 

O pedido da audiência foi feito pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que ressaltou que a Comissão não pode ficar se ausentar de acompanhar os assassinatos que tiveram repercussão internacional.

"O mundo todo acompanhou o massacre e o mundo há de se perguntar: ‘não fizeram nem sequer uma discussão na Comissão de Direitos Humanos para ver o que aconteceu? Quem foram os mandantes do crime, por exemplo?’ E a Comissão vai se pronunciar."

Por causa de um terceiro requerimento, por parte do senador Paulo Rocha (PT-PA) a Comissão entrou em um impasse, pois o senador convocou a presença do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e do Secretário Especial da Agricultura Familiar e de Desenvolvimento Agrário, Ricardo Roseno, na audiência pública sobre o massacre de Colniza.  Os parlamentares da base aliada do governo não concordaram em votar o requerimento, argumentando que ele não estava previsto na pauta do dia.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) negou que tenha havido resistência dos governistas contra a presença do ministro Eliseu Padilha no debate.

"É praxe nas comissões que se leia o requerimento numa sessão para que seja votada em outra sessão. O governo não tem interesse de deixar de dar informação sobre esse ou qualquer outro problema ocorrido no país. Portanto, o que eu pondero é que se leia o requerimento hoje e que na próxima sessão, nós possamos aprovar o requerimento como “convite” ao ministro e o ministro virá para prestar as informações necessárias."

Após o impasse, o requerimento de convocação do ministro da Casa Civil não chegou a ser lido na Comissão de Direitos Humanos. 

Depois dos crimes, a segurança foi reforçada na região, que é de difícil acesso. O local onde aconteceu a chacina, está praticamente sem ninguém. As famílias fugiram do vilarejo de Taquaruçu do Norte com medo de que os criminosos voltem ao local.

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TENER" - Violência: Deputados veem indícios de execuções em chacina no interior do Pará

Equipes da Secretaria de Segurança do Pará voltam à Fazenda Santa Lúcia

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TENER" - Violência: Deputados veem indícios de execuções em chacina no interior do Pará


Mácio Ferreira/Agência Pará/Fotos Públicas

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Pará divulgou nesta terça-feira o seu relatório a respeito da morte de 10 pessoas na fazenda Santa Lúcia, em Pau D’Arco, no interior do Pará, no último dia 24 de maio. Para os deputados, está claro que não houve confronto, e é grande a probabilidade da prática de execuções.

“Houve tudo naquele local, menos confronto”, disse o deputado estadual Carlos Bordalo (PT), presidente da comissão. “Não temos a intenção de defender quem comete crimes, mas nesse país não há pena de morte e as autoridades devem obedecer protocolos legais. Nesse episódio, nada disso foi respeitado”.

No dia 24 deste mês, nove homens e uma mulher morreram durante uma ação de policiais civis e militares, cujo objetivo era cumprir mandados de prisão preventiva contra Antônio Pereira Milhomem, Ronaldo Silva dos Santos e Jane Júlia de Oliveira, os três suspeitos de envolvimento na morte de um vigilante da fazenda.

Na versão dos policiais, eles foram recebidos a tiros e revidaram. No confronto alegado pelos agentes de segurança, além dos 10 mortos outras quatro pessoas ficaram feridas, e 11 armas de fogo foram apreendidas. Os próprios policiais fizeram a remoção dos corpos.

Já familiares das vítimas e sobreviventes refutaram a versão dos policiais, garantindo que foram surpreendidos pelos agentes, que chegaram na área atirando contra as pessoas. Nem todos conseguiram fugir e os mortos teriam sido ainda torturados antes das execuções.

Na análise do relatório de 18 páginas produzido pela comissão de parlamentares, a polícia violou direitos humanos, não obedeceu protocolos legais para esse tipo de ação e ainda descaracterizaram a cena de crime, o que dificultou o trabalho da perícia.


“[Os familiares] não tiveram acesso aos mortos, e quando [os corpos] foram entregues — 48 horas depois —, nem um velório digno pode ser feito devido ao adiantado estado de decomposição dos corpos. Foi preciso fazer o sepultamento imediato”, disse o deputado estadual Ozório Juvenil (PMDB).

O relatório aponta ainda que o objetivo da operação policial seria “desmantelar qualquer capacidade de rearticulação da ocupação favorecendo os pretensos proprietários e encerrando de vez o conflito agrário”.

No início da semana, a Secretaria Estadual de Segurança do Pará considerou “legítima” a atuação dos policiais.
Sendo aprovado pelos deputados da Assembleia Estadual do Pará, o relatório será encaminhado às autoridades, a fim da identificação e punição dos responsáveis.

“Cabe à polícia, ao Ministério Público e à Justiça apurar e utilizar essas informações que coletamos para contribuir para que o estado aperfeiçoe seus protocolos. Não é possível que um estado que teve o episódio da Curva do S, em Eldorado dos Carajás, volte a ter algo do gênero, em Pau D’Arco”, avaliou Bordalo, em referência a outros incidentes violentos registrados em solo paraense.

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TEMER" - Atlas da violência: Brasil teve mais de 59 mil homicídios em 2015

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BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TEMER" - Atlas da violência: Brasil teve mais de 59 mil homicídios em 2015


CC0 / Pixabay /

O Brasil registrou 59.080 homicídios em 2015, informa o Atlas da Violência 2017, publicação do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em conjunto com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Homens, jovens, negros e com baixa escolaridade são a maior parte das vítimas.



A cada 100 assassinatos ocorridos no Brasil, 71 são de pessoas negras. De acordo com a pesquisa publicada nesta segunda-feira (5), os negros possuem chances 23,5% maiores de serem assassinados em relação a brasileiros de outras raças, já descontado o efeito da idade, escolaridade, do sexo, estado civil e bairro de residência.

Além disso, os números da violência estão aumentando. Em 2005, ocorreram 48.136 homicídios. Ou seja, houve um aumento de 22,7% no número de homicídios. Ainda assim, essa alteração não atinge da mesma forma todos os setores da sociedade. No período de 2005 a 2015, houve um crescimento de 18,2% na taxa de homicídio de negros, enquanto a mortalidade de indivíduos não negros diminuiu 12,2%.

Segundo o Atlas da Violência 2017, existe uma "naturalização do fenômeno" e um "um descompromisso por parte de autoridades nos níveis federal, estadual e municipal com a complexa agenda da segurança pública".

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TEMER" - 'Aumento da violência no Brasil: retrato de um país sem referências éticas e morais'

Copacabana volta a ser palco de confrontos em plena luz do dia

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TEMER" - 'Aumento da violência no Brasil: retrato de um país sem referências éticas e morais'


Fernando Frazão/Agência Brasil/Fotos Públicas

"O aumento da violência em todo o Brasil e as denúncias que não param de crescer de corrupção em todos os níveis do Estado têm uma causa comum: a perda de valores morais que cria gerações sem qualquer referência de ética e noção de convívio coletivo."

A análise é do diretor da Squadra — Gestão de Risco, Gustavo Caleffi, em entrevista exclusiva, de Porto Alegre, à Sputnik Brasil. Caleffi cita dois exemplos ocorridos esta semana no Estado do Rio que demonstram a gravidade deste quadro.

Na quarta-feira, em plena luz do dia, duas pessoas morreram, em Copacabana, durante troca de tiros entre traficantes da comunidade do Pavão-Pavãozinho: Elisângela Gonçalves, de 38 anos, vítima de enfarte, e o zelador Fábio de Alcântara, também, de 38 anos, por estilhaços de granada jogada por traficantes contra policiais militares. O segundo exemplo, que começou na quinta-feira e continua em curso nesta sexta-feira: a Operação Calabar, a maior da história do Estado do Rio de Janeiro contra corrupção de policiais militares, em um total de 96 mandados de prisão por crimes em São Gonçalo, envolvendo divulgação antecipada de operações policiais, segurança a criminosos, assaltos, escolta de quadrilhas, resgate de bandidos e até aluguel de armas.

"Estamos vivendo um problema crítico no Brasil há muitos anos, e isso não vai ser solucionado nem em curto, nem a médio e pouco provável em longo prazo. Talvez se começarmos a fazer alguma coisa partir de hoje. O problema está na base do Brasil, porque vivemos hoje em um Estado que tem a falência das instituições de segurança pública, o caos do sistema prisional, uma legislação muito falha e branda, a inversão total de valores, policiais locando armamentos para quadrilhas, a perda de moral e ética, a falência da instituição família, o livre comércio ilegal e a banalização da vida humana", analisa Caleffi.


O diretor da Squadra atribuiu também à impunidade o agravamento dessa situação, que classifica "caos social". Segundo o especialista, com a atual estrutura será impossível reverter esse quadro, que leva cidadãos a cometer crimes em todas as instituições, "porque o crime passou a compensar no Brasil". Para reverter essa realidade, Caleffi diz ser necessária uma ampla revisão, desde a legislação penal, passando pela de segurança pública e estruturas de moral e ética", diz o especialista, citando que a 12ª condenação imputada ao ex-governador Sério Cabral é um dos raros episódios que lhe trazem "um pouco de esperança para esse país".

Caleffi diz que o problema da violência no país não se restringe ao combate às quadrilhas nas ruas, o desafio persiste também dentro das empresas, onde o desvio de valores, mesmo de pequenas quantias, revela o grau de ausência moral de funcionários a executivos. 

"Há anos tinhamos uma disciplina nas escolas, a de Moral e Cívica, e se entendia que isso era uma ferramenta do governo militar, mas era uma ferramenta para educar as pessoas na base e formar cidadania. É uma vergonha hoje quando começa a tocar o Hino Nacional e as pessoas não sabem nem como se reportar a ele. Isso demonstra como perdemos todos os valores institucionais que tivemos um dia. Não existe instituição respeitável no Brasil. Em outros estados do Brasil não existe mais respeito por área. Em Porto Alegre, as ações de crime se dão em qualquer lugar da cidade a qualquer momento, como vocês viram ontem na Zona Sul. Não existe mais o respeito do delinquente pela polícia, pela Justiça e das pessoas pelas instituições", afirma Caleffi.

O diretor da Squadra também critica a busca de soluções fora do Brasil para resolução de problemas brasileiros e diz que lá fora ninguém entende a mentalidade do país. E ele dá um exemplo próprio:

"Hoje somos os responsáveis pela gestão de risco do UFC (Ultimate Fighting Championship) em toda a América Latina. Qual o problema que temos? A mentalidade de um americano quando vem para cá desenvolver um evento não entende que um brasileiro que compra um ingresso de arquibancada quer sentar na primeira cadeira."

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TEMER" - Greve Geral: Central dos Sindicatos Brasileiros espera barrar Reforma Trabalhista

Ação da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) em protesto de trabalhadores na cidade de Joinville (SC).

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TEMER" - Greve Geral: Central dos Sindicatos Brasileiros espera barrar Reforma Trabalhista


Divulgação/CSB

Trabalhadores, centrais sindicais e movimentos sociais de 23 estados e o Distrito Federal realizam desde as primeiras horas desta sexta-feira (30) uma nova manifestação pelo país, como a Greve Geral ocorrida em Abril e a Marcha em Brasília em Maio, em protesto contra as reformas trabalhista e previdenciária, em tramitação no Congresso Nacional.



Para as centrais sindicais, as reformas são consideradas com as maiores ameaças aos direitos dos cidadãos brasileiros e à organização do movimento sindical desde a promulgação da Constituição Federal de 1988. A organização vem acompanhando com atenção a realização dos atos em todo o Brasil durante o dia

Em entrevista exclusiva para a Sputnik Brasil, o Presidente Nacional da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antonio Neto, fez um balanço da manifestação e os próximos passos do movimento, especialmente com foco na votação da Reforma Trabalhista.

"Apesar da pressão sendo feita [contra] — em alguns estados a justiça do trabalho deu liminar para empresas, tentando impedir a mobilização dos trabalhadores — a gente viu uma grande adesão em vários estados", comemorou o sindicalista. 

"Naqueles estados, nos quais os transportes não aderiram, a adesão foi um pouco menor. O dia foi marcado mais por manifestações, paradas, atos em estradas, como tivemos aqui em São Paulo, nas principais acessos à cidade", disse Antonio Neto. 


Segundo o presidente da CSB, a multa aos trabalhadores do setor de transporte de diversas capitais seria muito expressiva. Levando em consideração que a votação da reforma trabalhista no senado foi adiada para a semana que vem, os sindicatos do setor decidiram poupar os esforços para realizar atos mais expressivos na ocasião das discussões no legislativo, na esperança de mudar o voto de uma parte dos senadores.
De todo modo, o sindicalista comemorou a expressividade da greve nos estados do Paraná e de Minas Gerais. Além disso, grandes manifestações são aguardadas no Rio de Janeiro e no centro de São Paulo.

"Já conseguimos virar grandes votos no senado, e essas manifestações no Brasil todo também devem repercutir na mudança de alguns votos", disse Neto, que prometeu alerta do movimento sindicalista "antes, durante e depois" da votação no senado.

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TEMER" - Greve Geral: Trabalhadores relatam transtornos com as paralisações de norte a sul do país



O trânsito ficou paralisado em São Paulo durante a greve geral em 28 de abril de 2017

Greve Geral: Trabalhadores relatam transtornos com as paralisações de norte a sul do país

© AFP 2017/ Miguel Schincariol
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Testemunhas relataram à Sputnik Brasil os transtornos causados pelas paralisações da greve geral contra as reformas do governo Temer nesta sexta-feira (30).



Diversas centrais sindicais e movimentos sociais convocaram paralisações nesta sexta-feira (30) em todo o país contra as reformas trabalhista e da Previdência do governo de Michel Temer. As manifestações também pedem a saída do presidente. 
A bancária Anninha Xavier, de Natal/RN, falou à Sputnik Brasil sobre os transtornos causados pela ampla paralisação dos rodoviários na cidade, impedindo que as pessoas cheguem ao posto de trabalho.

"Não consegui nem sair de casa. Os rodoviários desobedeceram a lei de greve e tem menos de 30% da frota nas ruas, lotando o pouco de transporte alternativo que temos que são as vans. Serviços de Uber e táxi lucrando astronomicamente e uma manifestação se preparando para acontecer às 15h próximo ao maior shopping de Natal que fica em frente a uma das principais vias de acesso ao centro e principais bairros comerciais da cidade", disse ela. 

"Sou bancária, não tenho carro e não consegui carona. Não acho válido pagar em média R$40 [ida e volta] num Uber para chegar à uma agência que nem é a que eu estou […] Já pago muito caro [R$6,70 ida e volta] diariamente para deslocar em uma cidade pequena e com um transporte coletivo de péssima qualidade. Não posso me dar ao luxo de pagar mais caro ainda pra ir trabalhar hoje. Não é justo com o suor do meu trabalho que ajuda a mover as engrenagens da economia brasileira", disse a bancária. 

Anninha Xavier também afirmou que os servidores estaduais da saúde do Rio Grande do Norte anunciaram greve sem previsão de retorno.

Já no Rio de Janeiro, a Avenida Brasil ficou completamente parada devido aos piquetes realizados em diversos pontos da cidade.

Assembleia do Largo
há 15 horas

|| RIO DE JANEIRO: #GreveGeral - Imagens áreas da Av.Brasil altura da Penha subida para o centro do RJ praticamente parada devido a barricadas e travamentos feitos por manifestantes. || #30JUN

Ainda temos imagens de travamentos na altura do JB no gasometro e interdições na Niterói - Manilha; Segundo informes os caminhões dos correios não estão circulando em apóio a greve.
07h










Mídia Independente Coletiva-MIC adicionou 6 novas fotos.
Empresa de mídia/notícias128.226 curtidas
15 h
|| RIO DE JANEIRO: #GreveGeral - Imagens aéreas da Av.Brasil altura da Penha subida para o centro do RJ praticamente parada devido a barricadas e travamentos fe...

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TEMER" - Greve Geral: resultados parciais positivos, segundo CUT-RJ

CUT e CTB

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TEMER" - Greve Geral: resultados parciais positivos, segundo CUT-RJ


Agência Brasil

A CUT-RJ avalia como positiva a adesão dos sindicatos e da população à Greve Geral desta sexta-feria, 30 de junho.



Essa foi a opinião de Jadir Batista, da coordenação da CUT-RJ, que conversou com Sputnik Brasil sobre o andamento da greve contra as reformas trabalhista e da Previdência do governo de Michel Temer.

"Várias categorias, tirando as da área de transporte, realizaram paralisações e atividades. Desde de manhã. Os funcionários do governo do estado estão parados, os bancários estão em greve permanente, e os petroleiros também fizeram atividades. Para nós, no Rio de Janeiro, foi positivo", afirmou Jadir Batista.

Ao comentar a baixa adesão do setor de transportes, o sindicalista evitou criticar os colegas.

"Não dá para culpar só os trabalhadores da área de transportes. Porque o prazo para trabalhar essa greve geral foi muito curto. O período foi muito curto e a pressão foi muito grande", disse o representante da CUT. 


Segundo ele, no entanto, a greve e atos de rua são necessários para combater a conjuntura atual no país e mesmo as medidas adotadas por empresas em tempos de crise econômica.
"Em função dessas demissões nos últimos meses, com 14 milhões de demitidos, uma recessão grande, ou você faz um trancasso, ou você não faz um movimento", afirmou Batista à Sputnik.

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TEMER" - População quer governo democrático e voltado para os direitos fundamentais

Manifestantes se concentram para ato da Greve Geral no Rio de Janeiro

BRASIL CONTRA O "TURCO LADRÃO TEMER" - População quer governo democrático e voltado para os direitos fundamentais


Sputnik Brasil

Em entrevista à Sputnik Brasil, um manifestante que participa dos atos da Greve Geral desta sexta-feira criticou duramente o governo do presidente Michel Temer e defendeu o direito da população de reivindicar por melhorias e por uma administração mais democrática, voltada para as necessidades de todos e pautada pela justiça social.

De acordo com Diedro Barros, ativista e funcionário do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (SINTUPERJ), uma luta bastante árdua está sendo travada desde o início do processo de derrubada da presidenta Dilma Rousseff, uma luta que, ao mesmo tempo que causa muito cansaço, também traz mais energia para milhões de pessoas seguirem acreditando na necessidade de ir às ruas protestar por aquilo que acham justo.


"A gente vê que a população está insatisfeita com o governo do presidente Michel Temer, um governo que é ilegítimo, governo que não foi eleito. Não foi essa a plataforma eleita em 2014. O povo, se não está totalmente mobilizado, está buscando uma mobilização para ir de encontro a todos esses ataques que a agenda do governo Temer está tentando trazer, que é retirar direitos, possibilidade de aposentadoria digna, possibilidade de uma relação de trabalho digna". 

Nos atos realizados nos últimos meses, segundo o sindicatário, é possível observar uma grande diversidade de pautas, mas com alguns aspectos em comum. Ele acredita que quem está na rua neste momento são pessoas que defendem pautas mais avançadas, que defendem uma sociedade mais plural, que lutam por melhor distribuição de renda e "por equilíbrio no modo de produção capitalista no qual o Brasil está inserido".
Para Diedro, boa parte da insatisfação geral pode ser creditada às medidas de austeridade que estão sendo levadas a cabo pelo Palácio do Planalto, com apoio do Congresso, como as reformas trabalhista e da Previdência por exemplo.

"O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. As pessoas que estão nas ruas estão reivindicando a manutenção dos seus direitos: salário digno, mínima segurança para que o trabalhador não tenha aquele medo de ser demitido a qualquer momento etc. Lutando pela possibilidade de, se ele for demitido [o trabalhador], ter direito de correr atrás de uma forma de se sustentar mesmo que não tenha emprego pelos próximos dois, três ou cinco meses, até conseguir uma nova colocação no mercado de trabalho", afirmou. 


Reconhecendo que a população está, aos poucos, buscando defender com vontade os seus direitos, o ativista também destaca que, por outro lado, existe um contra-ataque bastante forte por parte de grupos que querem a retirada desses direitos, "grupos principalmente financiados pelo alto empresariado e abastecidos de informação por uma mídia corporativa que está também defendendo todas essas reformas do governo Temer".

Sobre os problemas causados no cotidiano da sociedade pelos atos realizados nos grandes centros urbanos, Diedro Barros defende a legitimidade das manifestações dizendo que não é possível se fazer uma reforma numa casa sem arcar com todos os custos ligados a ela.


"Você acaba, invariavelmente, quebrando [a casa] para poder reconstruir. E é isso que a população está buscando, quebrar essa lógica que está no poder, muito nociva, e reconstruir um governo verdadeiramente democrático, voltado para as necessidades, para os direitos básicos fundamentais."

Greve geral deixa escolas públicas sem aula

Greve geral deixa escolas públicas sem aula

Talita de Souza

A greve geral nacional desta sexta-feira (30) mudou a rotina dos estudantes brasilienses do ensino público do Distrito Federal. Além da ausência dos professores, convocados para paralisação e ato na Praça do Relógio pelo Sinpro-DF (Sindicato dos Professores do Distrito Federal), o não funcionamento do transporte público ajudou a esvaziar as escolas. O Sinpro-DF informou que cerca de 80% das escolas estão paralisadas — o número exato será divulgado no fim do dia.


O intenso movimento cotidiano do Centro de Ensino Médio Elefante Branco (CEMEB) contrastou com o deserto em que amanheceu nesta sexta (30): apenas dois alunos compareceram às aulas. Segundo o vice-diretor Fernando Damiano, esse é um recorde de ausência. “A falta dos alunos está relacionado tanto à falta da circulação de ônibus quanto à adesão dos alunos ao movimento. Nossos estudantes dependem do transporte público e toda vez que há paralisação do setor, temos um desfalque nas aulas. Mas é inegável o fato de que os secundaristas do Elefante Branco também aderem á greve geral”, diz. Os docentes também deram força ao movimento: o vice-diretor afirma que cerca de 95% dos professores paralisaram as atividades.

O Centro de Ensino Médio Setor Oeste (CEM Setor Oeste) também teve baixa frequência: cinco alunos estão na escola e tendo aula. Os professores, porém, não aderiram à paralisação, segundo informou a direção do estabelecimento.

“Estamos aqui na escola, mas com o coração nas manifestações. Estamos torcendo para que os movimentos populares realmente mobilizem o país e a nação. Quando eu estudava, a escola pública era de excelência e qualidade. Hoje, o ensino público é desdenhado. Até os filhos de professores do ensino público estão em instituições particulares”, disse o professor Fernando Damiano. “Os médicos e professores do espaço público são heróis pelas condições em que trabalham. Mas, até quando eles aguentarão o sucateamento? Precisamos lutar mesmo, a greve é uma maneira da sociedade entender que precisamos mudar.” conclui o vice-diretor do Cemeb.Com relação à reposição de aulas, os gestores das escolas divergem. Vice-diretor do Cemeb, Fernando Damiano, acredita que o dia de aula só será resposto no segundo semestre. “Como tínhamos feito um calendário de reposição da greve anterior, aprovado pelo GDF, a de hoje não estava prevista e precisa se encaixar. As aulas vão terminar em 22 de julho e os alunos terão apenas uma semana de recesso, até 28 de julho, por isso devemos repor o dia de hoje em agosto”, pontua. Já a diretora do Centro de Ensino Médio Setor Oeste (CEM Setor Oeste), Ana Maria Gusmão, diz que a reposição será feita de acordo com determinação da Secretaria de Estado Educação do DF (SEE/DF). “Geralmente, a SEE envia um documento com a ação que devemos ter; seguiremos a orientação”, conclui.

Ensino particular
O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares do DF (Sinepe/DF) deu autonomia às instituições de ensino em relação a aderir ou não o movimento. A advogada do grupo, Oneide Soterio da Silva, afirma que a recomendação é de que as escolas cumpram o calendário de aulas acordado com os pais. O Centro Educacional Leonardo da Vinci segue a recomendação e está com a programação normal. O colégio está em semana de provas e afirma que nem alunos nem professores aderiram ao movimento.

Ato dos docentes
O Sinpro-DF está reunido na Praça do Relógio em Taguatinga desde às 9h. “Além da categoria, há trabalhadores de diversas áreas que estão se posicionando contra as reformas Trabalhista e da Previdência”, afirma Cláudio Antunes, diretor de imprensa do Sindicato. O número de manifestantes no local não foi informado.


*Estágiaria sob supervisão de Ana Sá

ISRAEL NA MIRA DA COREIA DO NORTE - Coreia do Norte ameaça 'punir sem piedade' Israel

Esta foto mostra militares durante o desfile militar comemorando os 105 anos de nascimento de Kim Il-sung

Coreia do Norte ameaça 'punir sem piedade' Israel

© Sputnik/ Ilia Pitalev
Ásia e Oceania
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A Coreia do Norte ameaçou punir Israel e acusou o ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman, de ter feito declarações "imprudentes e maliciosas" que insultam os líderes norte-coreanos.


Os comentários do regime de Pyongyang foram produzidos depois de Lieberman ter qualificado os dirigentes do país asiático como "extremistas e dementes", informa portal israelense Haaretz.
Em um comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores norte-coreano afirmou: "A nossa mensagem consequente é punir sem piedade os que ofendem a dignidade de nossos líderes."
"Alertamos Israel que pense duas vezes sobre as implicações desta campanha de difamação contra nós", diz a nota, que condena Israel por sua política nuclear e o acusa de violar os direitos dos árabes no Oriente Médio.
"Israel é o único possuidor ilegal de armas nucleares que desfruta do apoio dos EUA, mas Israel ataca a Coreia do Norte por ter armas nucleares", sublinha o comunicado.

De acordo com o regime de Pyongyang, as críticas de Israel à Coreia do Norte são "uma ação cínica que pretende desviar a atenção da ocupação israelense e os crimes contra a humanidade".
Lieberman afirmou que Pyongyang "parece ter cruzado a linha vermelha com seus recentes testes nucleares" e garantiu que o programa de armas nucleares da Coreia do Norte representa uma maior ameaça para o mundo que o Irã ou qualquer grupo terrorista.
Em uma entrevista à edição Walla News nesta semana, Lieberman falou do líder norte-coreano, Kim Jong-un, como "o louco da Coreia do Norte".

Duelo aéreo: Su-27 russo vs F-16 no céu de Nevada. Quem vai ganhar?

Caças Su-27 da Força Aérea russa

Duelo aéreo: Su-27 russo vs F-16 no céu de Nevada. Quem vai ganhar?

© Sputnik/ Anton Denisov
Defesa
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A base militar Zona 51 na região de Nevada foi recentemente palco de exercícios espetaculares, durante os quais um caça Su-27 russo e um F-16 norte-americano participaram de um duelo aéreo.

"Será isso a prova de que os EUA se preparam para a guerra contra a Rússia?" — é o título do artigo do Daily Mail que onde foram publicadas imagens dessa batalha aérea perto da base militar norte-americana. 

Os dois caças voaram durante 25 minutos a uma altitude entre 5 e 10 mil metros.
As imagens foram tiradas pelo controlador do tráfego Phil Drake. O momento mais curioso em tudo isso é que o combate foi filmado no dia do triunfo de Donald Trump.
O Su-27 é um caça multifuncional russo construído pela Sukhoi. O F-16 é um avião de combate norte-americano desenvolvido pela General Dynamics nos anos setenta. 

OS REIS DOS CÉUS RUSSOS - Dinastia incomparável: o lendário Su-27 e seus herdeiros

Caças Su-35, Su-27 e Su-34 durante ensaio da parte aérea da Parada da Vitória em Moscou

Dinastia incomparável: o lendário Su-27 e seus herdeiros

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Há 40 anos, em 20 de maio de 1977, fez sua primeira decolagem o avião T-10-1, o protótipo do famoso caça soviético de quarta geração Su-27, diz Andrei Kots, colunista do Sputnik.

O Su-27 reuniu os últimos avanços da escola soviética de construção aeronáutica, através dos quais o aparelho adquiriu na origem um enorme potencial de modernização. Atualmente, dezenas de versões modernizadas deste caça, bem como aeronaves criadas sobre a sua base, protegem e defendem os céus de mais de 20 países.
Os recordes do Su-27
Oficialmente, o Su-27 entrou em serviço na Força Aérea da URSS em 23 de agosto de 1990. Naquele tempo, o novo caça soviético já tinha batido o recorde mundial de velocidade de subida.
Em 27 de outubro de 1986, o piloto de testes Viktor Pugachev conseguiu atingir uma altitude de 3.000 metros em apenas 25,4 segundos.
Além disso, o Su-27 se tornou o primeiro avião de combate russo equipado com sistema de condução por comandos eletrônicos. A introdução de um novo sistema de direção permitiu aumentar a capacidade de manobra e a eficiência do avião, e os pilotos ficaram capazes de realizar acrobacias aéreas complexas em velocidades baixas e altas.


O Su-27 também foi equipado com os mais completos equipamentos de navegação da época, dois potentes motores AL-31F, um novo radar e sistema de pontaria optoeletrônica. Além disso, ele dispunha de toda a gama de mísseis ar-ar R-27 e R-73, projetados especialmente para estes aviões. Por último, o caça estava armado com um canhão de 30 milímetros GSh-30-1 para combate a curta distância.
Outras modificações da aeronave, como o Su-27SM, também dispunham de sistemas para destruir alvos em terra com mísseis de precisão Kh-29, Kh-31 e Kh-59. Mas a missão principal do avião continuava sendo a superioridade aérea.
As vantagens dos Su-27, frente aos seus rivais ocidentais, foram demostradas pela primeira vez em agosto de 1992.


Naquele momento, os oficiais do Centro de formação de pilotos de Lipetsk, da Força Aérea da Rússia, visitaram a base aérea de Langley, a convite do Pentágono, onde se organizaram encontros de treinamento entre o Su-27UB e o F-15D.
Os pilotos russos derrotaram os norte-americanos e ficou claro que o Su-27 superava amplamente o F-15 por sua capacidade de manobra em velocidades subsônicas, um trunfo importante em combate aéreo a curta distância.
Os militares norte-americanos batizaram o su-27 como "flanker", flanqueador — um apelido que faz referência à sua capacidade para realizar manobras e ataques bruscos de direções inesperadas.
Os "descendentes" da lenda
Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, atualmente a Força Aeroespacial da Rússia dispõe de 50 Su-27, 10 Su-27UB, 47 Su-27SM — com aviônica avançada e um novo sistema de controle de fogo — e 14 Su-27SM3 — com motores AL-31F-M, estrutura reforçada e pontos de suspensão adicionais para armamento. Além disso, 18 Su-27 estão em serviço da aviação naval da Marinha russa. O porta-aviões Admiral Kuznetsov dispõe de 17 Su-33 (Su-27K) com asas dobráveis.
A versão seguinte desta aeronave foi o Su-30, capaz de destruir com a mesma eficiência alvos em terra e no ar, a qualquer altura do dia ou da noite e em quaisquer condições climáticas.
O Su-30 tem um radar de varredura eletrônica ativa que lhe permite detectar de forma automática seus objetivos e segui-los a longas distâncias e em combate a curta distância. Além disso, eles podem apontar outros caças para seus objetivos.
Caça russo Su-30
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Caça russo Su-30

Assim, esta aeronave pode executar algumas funções próprias dos aviões de alerta antecipado e controle aéreo. Além disso, as versões mais recentes dos Su-30 são equipados com potentes sistemas de guerra eletrônica para se defenderem tanto de caças inimigos como de sistemas de defesa antiaérea.


Estes aviões tiveram sucesso no mercado internacional de armas e existe uma grande quantidade de modificações para exportação: o MKA (para a Força Aérea da Argélia), o MKK (China), o MKM (Malásia), o MK2B (Vietnã), o MK2V (Venezuela) e o MKI (Índia), entre outros.
Os Su-27 adquiridos por outros países participaram de vários exercícios com aviões da OTAN e sempre obtiveram o mesmo resultado: uma vitória esmagadora.
Em 2015, por exemplo, os caças Su-30MKI indianos participaram de um combate de treinamento com os Eurofighter Typhoon da Força Aérea do Reino Unido. Os pilotos índianos venceram seus rivais britânicos com uma pontuação de 12 a 0.


Atualmente, a Força Aeroespacial russa está equipando sua frota com Su-30SM e já há mais de 60 unidades no ativo. Além da aviônica moderna, esta aeronave se destaca pelos motores AL-31FP de empuxo vetorial. O Su-30SM é capaz de mudar abruptamente a sua trajetória de movimento e realizar manobras aéreas de extrema complexidade. Estes são os caças que acompanham os bombardeiros russos em missões de combate na Síria.
Nesse país árabe também lutam outros "netos" do Su-27: o versátil e multifuncional caça Su-35 e o caça-bombardeiro Su-34. O primeiro corresponde a um avião de quinta geração, por todas as suas características, exceto a furtividade. Além disso, ele está equipado com o mais avançado sistema de informação e controle: o novo radar Irbis, e potentes motores AL-41F1S. Ele também conta com um sistema de ignição a plasma e controle do vector de impulso. Atualmente, o exército russo conta com cerca de 60 Su-35.
Avião Su-34 levanta voo na base aérea de Hmeymim, Síria
© Sputnik/ Maksim Blinov
Avião Su-34 levanta voo na base aérea de Hmeymim, Síria
O Su-34 não precisa de apresentação. Este caça-bombardeiro foi um dos protagonistas da operação da Força Aeroespacial na Síria e pode levar a todo tipo de meios de destruição aérea: desde mísseis não guiados até bombas aéreas teleguiadas, assim como atacar alvos em qualquer condição climática e participar na guerra eletrônica de forma eficaz.


O selo distintivo desta aeronave é sua forma de cabine incomum, uma vez que os pilotos não se sentam um atrás do outro, mas ao lado, o que aumenta o conforto da tripulação durante os voos mais longos.
Em breve, o exército da Rússia irá dispor de um "bisneto" do Su-27: o primeiro caça russo de quinta geração T-50. Esta aeronave vai encarnar os melhores traços da numerosa família Sukhoi e, em um futuro próximo, se tornará o principal avião de combate da Força Aeroespacial russa.

Caça Su-27 russo intercepta bombardeiros dos EUA sobre mar Báltico (FOTOS)

Su-27 (arquivo)

Caça Su-27 russo intercepta bombardeiros dos EUA sobre mar Báltico (FOTOS)

© Sputnik/ Anatoly Medved
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Departamento de Defesa dos Estados Unidos publicou na sua conta do Twitter fotos que mostram o momento da intercepção.

O Pentágono divulgou várias imagens em que aparece um bombardeiro norte-americanos sendo interceptado por um caça russo Su-27 sobre o mar Báltico na sexta-feira, 9 de junho.
​De acordo com a emissora CBS News, o aparelho russo interceptou um grupo de aviões, entre eles um bombardeiro B-52, dois bombardeiros supersônicos B-1B Lancer e um avião-tanque KC-135R. O porta-voz do Pentágono, Jeff Davis, disse que a manobra realizada pela tripulação russa foi "segura e profissional" e não causou nenhuma preocupação a Washington.

O incidente ocorreu durante os exercícios navais da OTAN Baltops, que se realizam entre 1 e 15 de junho. Das manobras participam 50 navios de guerra e mais de 50 aviões e helicópteros, bem como efetivos de 14 países: Bélgica, Dinamarca, Estônia, Polônia, Finlândia, França, Holanda, Letônia, Lituânia, Alemanha, Noruega, Reino Unido, Suécia e Estados Unidos.
Nos últimos dias, a atividade militar dos estados-membros da OTAN perto da fronteira com a Rússia aumentou drasticamente. Em 7 de junho, a Força Aérea russa interceptou dois aviões da Aliança Atlântica no mar Báltico e no mar de Barents.